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Microcefalia. Guia completo da doença que afeta os bebês.

Data

19 ● fevereiro ● 2018
Guia para gestantes

Má-formação compromete o desenvolvimento das crianças e está ligada com o vírus Zika

A microcefalia provoca má-formação nos bebês.

Imagine saber que a criança que vai nascer tem uma má-formação na cabeça que pode comprometer seu desenvolvimento? O aumento dos casos de microcefalia que vem ocorrendo no Brasil, geram diversas dúvidas sobre a doença e o que pode provocá-la.

A cabeça e o cérebro menores que os padrões considerados normais para criança de mesmo tempo, são as principais características da doença que está associada com o Zika Vírus e vem preocupando as futuras mamães.      

A seguir, os profissionais de Neurologia da Cia. da Consulta vão tirar todas as suas dúvidas sobre essa doença que já é antiga na medicina, mas que devido ao aumento dos casos precisa de cada vez mais cuidados.  

Microcefalia, o que é?

A microcefalia é uma doença neurológica em que a cabeça do recém-nascido é menor quando comparada ao padrão dos bebês de mesmo tempo e sexo.

Em geral, é considerado um caso de microcefalia quando os ossos do crânio se fundem de forma prematura não deixando espaço para o crescimento do cérebro sem que haja compressão das suas estruturas.

Quais os sintomas da criança com Microcefalia?

A característica mais evidente que uma criança possui microcefalia é o tamanho da cabeça, que é visivelmente menor do que a de outras crianças da mesma idade e sexo, gerando a aparência de uma noz.

Quem desenvolve microcefalia tem o perímetro do crânio menor que 33 cm no ato do nascimento ou, menor do 42cm ao completar 1 ano e 3 meses e um tamanho inferior a 45 cm depois de completar 10 anos de idade. Essa medidas podem variar caso o bebê nasça de uma gravidez com parto prematuro.

Outra consequência pode ser vista na aparência dos portadores de microcefalia. Geralmente eles apresentam a cabeça pequena com o couro cabeludo solto e meio enrugado, testa mais curta e projetada para trás, suas faces e orelhas são desproporcionais e geralmente maiores que o normal.

Dependendo do grau de gravidade da doença, a criança pode desenvolver algumas complicações que comprometem a visão, a audição,a  fala, o peso e a estatura. Podem apresentar também hiperatividade, dificuldades de aprendizado, convulsões (epilepsia), deficiências cognitivas e motoras.

Como é feito o diagnóstico da Microcefalia.

O diagnóstico da microcefalia é feito através do exame da morfologia do crânio e da medida da circunferência da cabeça. O método mais confiável é o médico medir a circunferência da cabeça do bebê no momento do nascimento e 24 horas depois, levando em consideração se o bebê é prematuro ou não.

Esse exame é realizado através da medida do crânio do bebê e comparado com as curvas de normalidade. Atualmente, a Organização Mundial da saúde (OMS) define como medidas padrão para a microcefalia o número menor que 31,9 cm para meninos e menor que 31,4 cm para meninas, porém a determinação exata da malformação deve ser feita por meio de exames neurológicos e clínicos durante o desenvolvimento do bebê.

O diagnóstico também pode ser feito durante a gravidez por meio de uma ultrassonografia durante o pré-natal da gestante. Alguns exames como tomografia computadorizada e ressonância magnética cerebral também ajudam a medir e diagnosticar a gravidade da microcefalia e as possíveis consequências para o desenvolvimento do bebê.

O que causa a Microcefalia?

A microcefalia está relacionada a diferentes causas e origens, como bactérias, vírus, substâncias químicas, agentes biológicos (infecciosos) e também a radiação.

Dos vírus que podem estar envolvidos como possíveis causas da Zika, há alguns mais conhecidos como o da rubéola e toxoplasmose. Há também o citomegalovírus, herpes vírus, e algumas doenças como diabetes materna não controlada e alguns estágios da sífilis.

Outras causas e patologias também estão relacionadas com o desenvolvimento da microcefalia nos bebês durante a gravidez:

  • Parada prematura do crescimento do bebê;
  • Fluxo sanguíneo ao cérebro do bebê insuficiente;
  • Redução do oxigênio para o cérebro fetal;
  • Fenilcetonúria materna;
  • Malformações do sistema nervoso central;
  • Desnutrição severa da gestante, que pode não gerar nutrientes ou alimentos suficientes ao feto;    
  • O uso de drogas, álcool ou a exposição a certos produtos químicos tóxicos pela gestante;
  • Infecção pelo Zika Vírus (principalmente no primeiro trimestre da gestação);
  • Meningite
  • Desnutrição
  • HIV Materno
  • Uso de alguns medicamentos contra epilepsia, hepatite ou câncer, nos primeiros 3 meses de gravidez
  • Síndrome de Rett;
  • Envenenamento por mercúrio ou cobre;
  • Doenças metabólicas na mãe como fenilcetonúria;

Algumas doenças genéticas também podem causar a microcefalia, entre elas:

  • Síndrome de Down
  • Síndrome de Cornelia de Lange
  • Síndrome Cri du chat
  • Síndrome de Rubinstein – Taybi
  • Síndrome de Seckel
  • Síndrome de Smith-Lemli–Opitz
  • Síndrome de Edwards

A criança portadora de microcefalia que também possui alguma dessas síndromes, pode desenvolver outras características físicas, incapacidades e ainda mais complicações do que as crianças que somente são portadoras de microcefalia, necessitando de um cuidado redobrado.  

O que as grávidas podem fazer para evitar a microcefalia.

  • Antes mesmo da mulher engravidar, é ideal que os pais do bebê iniciem um acompanhamento para avaliar a saúde de ambos e investigar se há algum fator genético que possa gerar risco na geração do bebê;
  • É necessário que a mulher inicie um acompanhamento médico pré-natal antes mesmo da gravidez para colocar as vacinas em dia e iniciar suplementação com vitaminas e minerais importantes para a boa formação do tubo neural do feto;
  • É necessário seguir à risca todas as orientações do ginecologista ou obstetra que faz o acompanhamento pré-natal. Importante também procurar o médico sempre que apresentar algum sintoma como febre, manchas vermelhas na pele ou sintomas que possam ser confundidos com gripe ou resfriado;
  • A gestante deve evitar fatores de risco como o cigarro, álcool e uso de drogas. Exposição a radiação e contato com produtos químicos de procedência desconhecida;
  • Evitar ambientes onde mais de uma pessoa foi detectada com dengue ou zika, pois o local pode ter possíveis criadouros do mosquito transmissor de dengue, Zika ou Chikungunya próximo.   

Quais são as consequências da doença para o bebê?

Bebês que desenvolvem a microcefalia podem ter uma série de complicações em seu desenvolvimento. Esses problemas podem ser de leve a grave, dependendo do grau da doença e podem ocorrer ao longo da vida das crianças. Alguns problemas decorrentes da microcefalia que os bebês podem desenvolver são:

  • Convulsões;
  • Problemas com movimento e equilíbrio (dificuldade de sentar, ficar de pé e caminhar);
  • Atraso no desenvolvimento da fala;
  • Diminuição da capacidade intelectual
  • Dificuldades para engolir, gerando problemas com alimentação;
  • Perda de audição e problemas de visão

Os bebês com microcefalia, seja ela leve ou grave, necessitam de acompanhamento médico constante para auxiliar no seu crescimento e desenvolvimento e de cuidados especiais.  

A relação do Vírus Zika com a microcefalia.  

A presença do Zika Vírus durante a gravidez já foi relacionado a microcefalia depois de pesquisas confirmarem a presença do vírus primeiro no líquido amniótico dos bebês e depois no cordão umbilical.

A Médica Paraibana especialista em medicina fetal  Dra. Adriana Melo, foi a responsável por comprovar a associação entre o vírus Zika e a Síndrome que vem apavorando as grávidas.  

O surto de microcefalia que afetou o Brasil em 2015.

Em 2015, aumentaram os casos de microcefalia ocasionando pânico entre as futuras mamães principalmente em alguns estados do nordeste. A doença que até então era desconhecida por muitos e se desenvolvia devido a algumas causas específicas, mostrou a associação da mãe infectada pelo vírus zika a esta malformação.

O vírus que é transmitido pela fêmea do mosquito Aedes aegypti, é responsável pelo aumento do número de casos de microcefalia no Brasil e também é responsável por algumas complicações neurológicas em adultos como a síndrome de Guillain-Barré.

Um estudo realizado por pesquisadores do Centro de Controle e prevenção de Doenças dos Estados Unidos (CDC),  atestou que bebês cujas mães tiveram o vírus zika durante a gestação, podem nascer com a circunferência do crânio nos padrões normais e passam a desenvolver microcefalia ao longo do seu primeiro ano de vida.

Existem sintomas durante a gravidez?

Segundo a Fundação Oswaldo Cruz, sabemos até o momento, que o primeiro trimestre da gravidez é sempre o mais delicado, e isso em qualquer situação, independentemente do Zika.

É neste período que há mais chances de vírus, seja ele qual for, ultrapassar a barreira placentária. O indicado atualmente é que as mulheres devem redobrar os cuidados por todo o período de gravidez.

Há tratamento ou vacina contra o Zika vírus?

Ainda não há vacina para combater o Zika vírus. O tratamento é feito para combater os sintomas da doença, principalmente febre e dor de cabeça que são mais frequentes e incômodos e costumam ser tratados com o uso de paracetamol, conforme prescrição médica.

Assim como no tratamento para o vírus da dengue, no tratamento do Zika Vírus também não é indicado utilizar ácido acetilsalicílico e outros medicamentos anti-inflamatórios em virtude de aumentar o risco de ocorrer hemorragias.

A orientação é sempre que o paciente sentir os primeiros sintomas, principalmente mulheres grávidas, procure um médico para receber orientação adequada.

Quando a Zica é grave e pode ocasionar a Microcefalia?

  • Se ela ocorre especialmente no primeiro trimestre da gravidez. A probabilidade de ocorrer microcefalia aqui é de 1%.
  • Quando a grávida desenvolve a síndrome de Guillain-Barré. Uma sensibilização provocada no sistema imunológico onde o corpo ataca os próprios nervos provocando paralisias dos pés à cabeça.
  • Quando a grávida tem problemas imunológicos. O vírus pode provocar outras doenças auto-imunes como o Lúpus.

O que é importante saber sobre o mosquito transmissor da Zika para se proteger.

  1. É a fêmea do mosquito aedes aegypti que pica e transmite as doenças.
  2. A diferença entre os mosquitos machos e fêmeas é que a antena dos machos são mais peludas e o tamanho desses pêlos são menores que os da fêmea.
  3. As fêmeas do mosquito aedes atacam principalmente nos horários entre 7h30 às 10h e entre 15h30 às 19h.
  4. A fêmea voa baixo, em média a 1,2m de altura e probabilidade de picar as pernas é maior devido a isso. Portanto, é importante ficar atento e proteger as pernas.
  5. O aedes aegypti não gosta de claridade, e usar roupas claras e meias brancas ajuda a afastar o mosquito, esse porém não é um método de proteção eficiente. É preciso manter os outros métodos de prevenção.
  6. O mosquito não gosta de água suja. A água precisa estar limpa e parada.  
  7. A queda de temperatura e umidade afastam o Aedes mas não matam o mosquito.
  8. O calor atrai os mosquitos, por isso é fácil ver eles rodeando lâmpadas acessas.
  9. O Aedes aegypti vive em média 45 dias.  
  10. Após picar uma pessoa a fêmea não morre, pelo contrário. Ela pode dar origem a muitos outros mosquitos.  

A Microcefalia tem cura?  

A microcefalia é uma doença que não tem cura. O que caracteriza essa malformação na cabeça e crânio do bebê, é a união precoce dos ossos que formam o crânio e que não podem ser retirados nem por meio de cirurgia. Quando isso ocorre no período da gestação, as consequências ao bebê são ainda mais graves, pois o cérebro se desenvolve muito pouco.

Há também casos em que a junção dos ossos ocorre no final da gestação ou após o nascimento. Em virtude disso, a criança pode sofrer consequências menos graves da doença.

Qual o tratamento para Microcefalia?

O tratamento da microcefalia não cura a doença, porém ajuda a reduzir as consequências e a estimular o desenvolvimento mental e motor das funções prejudicadas em virtude da doença.

Em alguns casos, é necessário que a criança faça o uso de medicações frequentes, assim como faça a realização de exames e acompanhamento médico constante.  

Para os casos mais graves, um dos tratamentos é a realização de uma cirurgia que pode ser feita até os dois meses de vida da criança. Esse procedimento ajuda a separar ligeiramente os ossos do crânio ajudando a evitar a compreensão do cérebro e permitir que ele se desenvolva mais.

Grande parte do tratamento consiste em atividades e acompanhamentos como sessões de fisioterapia, terapia ocupacional e psicoterapias que irão auxiliar no desenvolvimento da parte mental.

Acompanhamento com fonoaudiólogo e outros profissionais da medicina também são necessários para auxiliar na qualidade de vida e bem-estar da criança durante toda a fase de crescimento e até na vida adulta.

Como prevenir a zica e a microcefalia?

Para que a microcefalia seja evitada e a gravidez se desenvolva de forma tranquila, é necessário acompanhamento médico e a realização do exame pré-natal corretamente. As grávidas devem evitar o consumo de substâncias tóxicas como álcool, tabaco e drogas ilícitas.

O Ministério da Saúde recomenda que as mulheres grávidas façam uma proteção redobrada contra a picada do mosquito aedes, transmissor dos vírus da dengue, Chikungunya e principalmente o Zika, fazendo as medidas de prevenção necessárias como:

  • Uso constante de repelentes apropriados para grávidas;
  • Uso de roupas de manga longa para proteger o corpo;
  • Instalação de telas de proteção nas janelas;
  • Uso de mosquiteiros nas camas;

De forma mais ampla, é importante combater as larvas que podem se transformar em mosquitos realizando a limpeza de recipientes que acumulam água parada como vasos de planta, pneus, garrafas vazias, caixas d’água, entre outros.

Quais os especialistas que podem diagnosticar e tratar a microcefalia?

Alguns especialistas são recomendados para dar o diagnóstico de microcefalia nas crianças, entre eles estão:

  • Clínico geral
  • Pediatra
  • Neurologista
  • Neurologista infantil

Só eles poderão fazer o diagnóstico preciso da microcefalia e recomendar os tratamentos necessários para ajudar no desenvolvimento da criança.

Na Cia da consulta, temos médicos especialistas em diagnosticar e identificar um diagnóstico preciso. Aqui você agenda suas consultas de forma online ou por telefone com muito mais rapidez, praticidade, conforto entre outros benefícios a um preço acessível.

Qual a expectativa de vida das crianças com microcefalia?

O tempo de vida de uma criança com microcefalia depende de vários fatores incluindo o nível de gravidade da doença, se ela possui outras síndromes associadas e também a forma como a criança é tratada e acompanhada.

As crianças que recebem o tratamento correto e necessário para auxiliar no desenvolvimento das funções que são comprometidas pela doença, tem mais chances de ter a qualidade de vida melhorada e de chegar à vida adulta mesmo ainda sendo necessário ter alguém por perto para os seus cuidados e segurança.

A criança que é diagnosticada com microcefalia, geralmente precisa de cuidados a vida toda, isso pode ser confirmado a partir do primeiro ano de vida da criança,dependendo muito do quanto o cérebro conseguiu se desenvolver e qual parte ficou mais comprometida nesse período de tempo.

Por ser uma doença que causa uma malformação no bebê e não tem cura, a microcefalia causa diversos problemas sendo motores, psicológicos e sociais para as crianças e até mesmo para os pais.

Conclusão: atenção e dedicação são fundamentais para quem é portador de microcefalia.

Com acompanhamento médico frequente, cuidados especiais necessários, atenção e dedicação dos pais e familiares, as crianças portadoras de microcefalia conseguem levar uma vida com qualidade dentro das possibilidades do seu quadro clínico.

A realização do pré-natal corretamente e das medidas para combater os focos de mosquito transmissor do vírus Zika ainda são a melhor forma de prevenção da doença. Tem dúvidas em relação a Microcefalia? Deixe aqui a sua pergunta que os especialistas da Cia. da consulta ajudam a solucionar.

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Fontes e Referências:

Ministério da Saúde

Fundação Oswaldo Cruz

Organização Mundial da Saúde

Centro de controle e prevenção de doença dos estados Unidos

Albert Einsten