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Febre Amarela: Sintomas, Diagnóstico e Tratamento

Data

8 ● fevereiro ● 2018
Saúde de A a Z

Guia completo da Febre Amarela, doença transmitida através da picada de mosquitos 

 

O vírus da Febre Amarela voltou a assustar a população desde o final do ano passado, provocando correria e filas aos postos de saúde para tomar a vacina devido ao aumento de casos da doença que vem provocando a morte de pessoas e animais. 

Para esclarecer tudo sobre a doença, os médicos especialistas da Cia. da consulta prepararam um Guia Completo para você ficar por dentro dos sintomas, modos de transmissão, vacinação, tratamento, verdades e mitos sobre a Febre Amarela. Fique atento e tire todas as dúvidas.  

 

O que é a Febre Amarela?

 

A Febre Amarela é uma doença infecciosa, causada por um vírus transmitido através da picada de mosquitos. Existem dois ciclos de transmissão da doença, a diferença está apenas nos mosquitos transmissores e na forma de contágio.

O  vírus apareceu pela primeira vez há cerca de 3 mil anos, na África. No Brasil, a Febre Amarela foi identificada pela primeira vez em 1685, em Pernambuco, onde permaneceu durante 10 anos. 

 

Tipos de Febre Amarela e transmissão

 

A Febre Amarela se manifesta em dois tipos: silvestre e urbana. O vírus que causador é o mesmo, logo as formas de manifestação, sintomas e evolução também são iguais. 

 

Entenda as diferenças entre os ciclos da doença:

 

A Febre Amarela Silvestre atinge os macacos. O vírus é transmitido através da picada dos mosquitos do tipo Haemagogus e Sabethes, que vivem geralmente na beira dos rios e em matas e tem hábitos diurnos. Os macacos são infectados ao serem picados por mosquitos em períodos que podem ter a presença do vírus no sangue.

 

 

Uma vez infectados, os macacos tornam-se vetores do vírus para sempre. O ciclo de transmissão ocorre da seguinte forma: macaco – mosquito – homem. A morte dos animais nos arredores das cidades, indica que o vírus esteja circulando nesta determinada região da e aumenta o alerta para evitar a proliferação do vírus.  

O Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBIO) afirma que os macacos não transmitem a doença. Eles são tão vítimas do vírus, que é  transmitido através da picada do mosquito, quanto os humanos.

O ICMBio recomenda que na possibilidade de encontrar macacos mortos, ou caídos no solo, o importante a se fazer é:

– Não tocar ou manipular os animais para evitar risco de contaminação por outras doenças (não pelo vírus da Febre Amarela);

– Comunicar imediatamente aos órgãos responsáveis, como as Secretarias Municipais e Estaduais de Saúde  

– Caso o animal ainda esteja vivo, porém fragilizado, em hipótese alguma deve-se maltratá-lo.  

 

A  Febre Amarela Urbana é transmitida através da picada do temido mosquito Aedes aegypti, exatamente da mesma forma como são transmitidos os vírus da Dengue, Chikungunya e Zika.

O mosquito vive nas áreas externas e internas das casas e pode se proliferar em qualquer lugar que haja um depósito de água parada, atacando principalmente no começo da manhã e no final da tarde. Os casos de Febre Amarela Urbana não são registrados no Brasil desde 1942. 

 

Sintomas da Febre Amarela

 

Os sintomas da Febre Amarela podem não se manifestar em muitas pessoas que contraem o vírus. Quando eles se desenvolvem, os sintomas são repentinos, costumam durar entre três e quatro dias até passar completamente.  

 

 

Alguns sintomas podem surgir de 3 a 6 dias após a picada do mosquito, o chamado “período de incubação”. Os sintomas costumam ser os seguintes:

– Febre alta de início súbito

– Calafrios

– Dores musculares no corpo (principalmente nas costas)

– Dor de cabeça

– Perda de apetite

– Náuseas e vômito

– Olhos, face e língua avermelhada

– Fotofobia

Fadiga e fraqueza

 

Sintomas mais graves da doença podem se manifestar em uma pequena porcentagem de pessoas contaminadas pelo vírus. Esses sintomas costumam aparecer cerca de 24 horas após a recuperação dos sinais mais simples.

Essa fase é chamada de tóxica, que é quando o vírus pode atingir diversos órgãos e sistemas do corpo, principalmente o fígado e rins. Os sintomas característicos dessa fase são:

– Retorno da febre alta;

– Icterícia (pele amarelada), devido ao dano que o vírus causa no fígado;

– Urina escura;

– Dores Abdominais intensas;

– Sangramentos na boca, nariz, olhos ou estômago;

 

Nos casos com extrema gravidade, o paciente pode apresentar delírios, convulsões e até entrar em coma. 

As pessoas que sentirem os primeiros sintomas, devem procurar um médico o mais rápido possível para realizar exames que detectam a presença do vírus no sangue. É preciso iniciar o tratamento rapidamente e ficar atento para que os sintomas mais graves não se manifestem. Esta fase da doença pode provocar a morte entre sete e dez dias.

Os sintomas da Febre Amarela podem ser confundidos com outras doenças como a malária, leptospirose, hepatite viral e dengue. Só um médico e exames podem identificar os sintomas e diferenciar as doenças.

 

Porque o nome Febre Amarela?

 

A doença é chamada de Febre Amarela devido a um dos principais sintomas ser a icterícia, sintoma frequente da doença que se caracteriza pela cor da pele e olhos que ficam com um tom mais amarelado.

Isso ocorre porque o vírus ataca o fígado, impedindo fatores que favorecem a produção sanguínea, aumentando assim a quantidade de bilirrubina (substância alaranjada produzida quando o fígado decompõe glóbulos vermelhos velhos) no sangue. Devido a cor dessa substância, seu acúmulo na pele e nos olhos faz com que estes fiquem amarelados.

 

Especialistas que podem identificar a Febre Amarela.

 

 

Os Especialistas recomendados para diagnosticar a Febre Amarela são:

– Clínico Geral

– Infectologista

Ao chegar a consulta com o seu médico, é importante listar todos os sintomas e há quanto tempo eles apareceram, se toma algum medicamento com regularidade e esclarecer todas as informações que possam facilitar o diagnóstico do médico.  

Consulta com médico e exames específicos para a identificação do vírus são os procedimentos indicados para o diagnóstico efetivo da doença, como é mostrado no site do  Dr. Drauzio Varella.

Assista o vídeo abaixo em que o Dr. Elie Fiss, Diretor Clínico da Cia da Consulta, responde as principais dúvidas que surgiram com a epidemia da Febre Amarela.

 

Diagnóstico da Febre Amarela 

 

O que é importante saber para o diagnóstico preciso da Febre Amarela:

– Conhecer os sintomas;

– Histórico do paciente, se ja foi vacinado e há quanto tempo;

– Se houve ocorrência de casos de febre amarela próximo;

– Se fez da exposição a mosquitos possivelmente infectados;

– A morte de macacos nas proximidades em que vive ou nos lugares em que visitou.  

 

A partir disso, o médico consegue fazer um pré-diagnóstico e caso suspeite de Febre Amarela, realiza um exame de sangue que pode detectar a presença do vírus ou de anticorpos que possam indicar alguma infecção anterior.

 

Os exames laboratoriais complementares realizados chamam-se MAC – Elisa, PCR ou isolamento do vírus em cultura. Eles mostram um resultado preciso da presença do vírus no sangue.

 

Se o resultado do exame for positivo, a única forma de  prevenir a disseminação do vírus é vacinar a população. 

 

Vacinação contra a Febre Amarela

 

 

A vacina contra a Febre Amarela é o método de prevenção mais efetivo contra a doença, segundo a Organização Mundial da saúde. A vacina é produzida a partir do vírus enfraquecido e deve ser aplicada via subcutânea, em dose única e raramente apresenta algum efeito colateral quando aplicada nas pessoas.  

 

A vacina é segura e tem eficácia comprovada, impedindo que o vírus se espalhe mesmo em áreas endêmicas, mas é preciso que pelo menos 80% da população principalmente próximo das áreas endêmicas esteja vacinada. A vacina é distribuída gratuitamente nos postos de saúde e também é vendida em clínicas particulares.

Até 2014 a recomendação era que as pessoas deveriam ser vacinadas de 10 em 10 anos. Em abril de 2017, o Ministério da Saúde passou a ministrar a dose única da vacina em todo o país. A medida já está sendo seguida e está de acordo com as orientações da Organização Mundial da Saúde (OMS).

A Secretaria de saúde de São Paulo divulgou uma lista completa com os postos de vacinação espalhados na capital que você pode conferir aqui.

 

Quem precisa tomar a vacina? 

 

Crianças dos 6 aos 9 meses de idade incompletos, que estejam em áreas de risco ou em situações onde há vigência de surtos, epidemias ou viagem inadiável para área de risco de contrair a doença.

Crianças a partir dos 9 meses de idade, que estejam em áreas de risco, devem receber a primeira dose da vacina contra a Febre Amarela e uma dose de reforço quando completarem 4 anos.

Crianças a partir dos 5 anos de idade: se a criança já recebeu uma vacina, pode-se dar mais uma dose. Se ela nunca foi vacinada, é preciso dar a dose inicial e outra de reforço 10 anos depois.

 Adultos que residam em áreas endêmicas ou precisem viajar para lugares que possam representar risco, dentro ou fora do Brasil.

 Pessoas prestes a viajar, precisam  tomar a vacina dez dias antes da viagem, tempo em que o organismo leva para produzir anticorpos necessários para combater o vírus.

A Agência Nacional de Vigilância sanitária (ANVISA), disponibiliza um portal voltado para a saúde do viajante, onde você pode obter todas as informações necessárias sobre as medidas de profilaxia antes de realizar a sua viagem e emitir o certificado internacional de vacinação.

 

Quem não precisa tomar a vacina?

 

Bebês menores de 6 meses de idade: O vírus da vacina pode causar problemas neurológicos aos bebês nessa idade. É importante também que as mães que estão amamentando bebês não tomem a vacina, salvo em situações de extremo risco. E caso haja essa necessidade, é preciso que essas mães fiquem pelo menos 10 dias sem amamentar para não causar nenhuma reação ao bebê.

 

Quem precisa de orientação médica para tomar a vacina?

 

– Gestantes: devem ser vacinadas apenas as gestantes que moram em área de extremo risco e recomendadas pelo médico. Gestantes que não residem em áreas consideradas de extremo risco não precisam ser vacinadas.  

– Pessoas com alergia grave a ovo: Pessoas com esse tipo de alergia  devem receber a vacina em caso de estarem em áreas de extremo e somente com a recomendação de um alergista.

– Imunossuprimidos: Pessoas com o sistema imunológico comprometidos, seja imunodeprimidos, portadores de HIV, de tumores malignos incluindo leucemia e linfomas, que estejam realizando tratamento de quimioterapia e radioterapia ou utilizando medicamentos como quimioterápicos e corticóides em altas doses;

– Idosos com idade igual ou superior a 60 anos: adultos nessa faixa etária só devem tomar a vacina depois de avaliados por médicos em virtude do risco de desenvolver efeitos indesejáveis da vacina;

 

A vacina provoca muitos efeitos colaterais?

 

A vacina pode provocar algumas reações como:

– Dor leve a moderada no local;

– Dores no corpo;

– Dor na cabeça;

– Febre;

– Mal-estar.

 

Uma nota técnica da Sociedade Brasileira de Reumatologia orienta a não imunização de pessoas que fazem o uso de determinadas medicações que podem causar efeitos colaterais a pacientes que estão mais suscetíveis a efeitos colaterais.

 

Qual a melhor forma de prevenir a Febre Amarela? 

 

 Só com medidas de prevenção e controle, é possível diminuir a infestação de doenças, não só a Febre Amarela, mas as outras que também são causadas pelos mosquitos, como dengue, zika, chikungunya e malária. 

 

 

O mosquito aedes nasce e se cria em água parada. Por isso é necessário realizar as seguintes formas de prevenção para evitar a reprodução dos insetos:

– Não deixar água acumulada: a água limpa, não necessariamente potável, atrai os mosquitos que lá despejam os seus ovos. Por isso é necessário não deixar pneus acumulando água, virar garrafas, fechar caixas d’água e cisternas e lavar a vasilha dos animais. 

Colocar areia nos vasos de plantas: Caso use pratos em vasos de plantas, não deixe que a água fique acumulada. Coloque areia ao redor dos pratos para evitar que a água fique acumulada ao redor do vaso.

– Use desinfetante ou água sanitária nos ralos: alguns ralos podem conservar água parada em seu interior, que pode tornar-se foco do mosquito Aedes. Colocar desinfetantes, água sanitária ou alguma proteção ajuda a afastar o mosquito e pode ser eficaz na proteção. 

– Instale telas nas janelas: Telar as portas e janelas da casa ajuda a proibir a entrada do mosquito em casa. Porém é preciso eliminar qualquer foco que haja no ambiente interno da casa.

– Eliminar criadouros internos: Piscina que não são limpas com frequência são um grande criadouro de mosquito da dengue. Por isso é preciso manter a manutenção da piscina semanalmente. Caso não esteja sendo usada, é importante que seja coberta para coibir a aproximação de mosquitos.

– Uso de repelente: os repelentes são importantes para a prevenção, porém devem ser reaplicados com frequência, pois a eficácia do produto é temporária. É importante que sejam aplicados na nuca e nas orelhas, onde o mosquito costuma se aproximar com frequência. Grávidas e crianças devem usar repelentes recomendados pelo médico;

– Uso de roupas compridas: quando tiver em uma área que represente risco de transmissão da doença, prefira o uso de roupas que cubram a maior parte do corpo como calças e camisas para evitar a picada do mosquito.

 

Qual a tratamento e medicamentos para a Febre Amarela?

 

 

A Sociedade Brasileira de Infectologia afirma que não há um tratamento específico que atue no combate da Febre Amarela. O tratamento  funciona apenas para aliviar os sintomas da doença.

Caso haja diagnóstico de febre amarela, deve-se ficar em repouso e ingerir muita água por dia para evitar a desidratação.

Também não existe um remédio específico para tratar a febre amarela, o tratamento pode ser feito de acordo com os sintomas apresentados e só ele poderá indicar os medicamentos específicos para tratar os diversos sintomas.

Ao manifestar os primeiros sintomas, não são recomendados os remédios que contenham  ácido acetilsalicílico, pois essa fórmula pode causar hemorragias e levar a morte, igualmente como acontece nos casos de dengue.

Nos casos mais graves, é importante que o tratamento seja feito por meio de internação no hospital para evitar hemorragias ou desidratação. Sintomas que trazem riscos para a vida do paciente.

 

Fatores de risco da Febre Amarela 

Algumas pessoas podem ter predisposição a fatores que provocam a Febre Amarela, entre elas estão:

– As pessoas que nunca entraram em contato com o vírus ou mesmo que nunca se vacinaram contra a doença;

– Pessoas que viajam para locais em que há surto ou epidemia do vírus e não receberam a vacina;

– Idosos a partir de 60 anos de idade e portadores de HIV/AIDS, que estejam com a imunidade bastante debilitada.

 

Casos de Febre Amarela 2017/2018

 

A Febre Amarela é uma doença de caráter sazonal que ocorre com mais frequência entre os meses de dezembro a maio, quando há o aumento de chuvas e da temperatura. Esses fatores ambientais favorecem o aumento dos vetores que propiciam a proliferação de mosquitos.

 

No site da agência FioCruz de Notícias, podemos acompanhar alguns dados sobre a situação da Febre Amarela no país segundo o Ministério da saúde. As informações estão sendo monitoradas desde 1º de julho de 2017 e vão até 30 de junho de 2018. Atualmente, mostram os seguintes números:

Foram confirmados 35 casos de febre amarela no país sendo que 20 vieram a óbito, até 14 de janeiro deste ano. Ao todo, foram notificados 470 casos suspeitos, sendo que 145 permanecem em investigação e 290 foram descartados.” Segundo atualização no dia 16/01/18.

 

Mitos e Verdades sobre a Febre Amarela

 

 

A Febre Amarela passa de uma pessoa para outra?

 

MITO. A doença não é transmitida de indivíduo para indivíduo. Ela só é transmitida por mosquitos contaminados.

 

A Febre Amarela deixa a pessoa realmente com uma cor mais amarelada?

 

VERDADE. Essa cor é provocada devido a um dos principais sintomas da doença ser a Icterícia, um fator que deixa cor amarelada na pele, mucosa e olhos.

 

Macacos doentes com Febre Amarela podem transmitir a doença para os humanos?

 

MITO. A doença é transmitida somente por meio da picada de mosquitos. O risco que pode ocorrer é de um mosquito picar um macaco doente e depois picar uma pessoa.

 

Preciso tomar a vacina a cada 10 anos?

 

MITO. No calendário de vacinação do Brasil já foi adotada a dose única da vacina para as áreas com recomendações de vacinação em todo o país.

 

Pessoas com alergia ao ovo, podem receber a vacina da febre amarela?

 

VERDADE. Pessoas que tem histórico de alergia comprovada ao ovo e seus derivados, gelatina bovina ou outras substâncias, podem receber a vacina após avaliação médica. É importante a pessoa receber a vacina em condições de atendimento especiais para caso haja alguma reação anafilática.

 

Mesmo quem tomou a vacina pode ter Febre Amarela?

 

MITO. A vacina contra a Febre Amarela é totalmente segura e eficaz para quem toma, quando administrada corretamente e de acordo com as normas do Programa Nacional de Imunizações

 

Quem já teve Febre Amarela pode ter outra Vez?

 

MITO. Quem já teve a doença fica imune para o resto da vida, ou seja, não desenvolve a doença nunca mais.

 

A prevenção é o melhor método de evitar a Febre Amarela.

 

Combater os mosquitos transmissores é a melhor forma de evitar a disseminação da Febre Amarela. Esses vetores são os grandes vilões na transmissão da doença, transmitindo o vírus aos macacos e aos seres humanos.  

 

Diante de informações equivocadas, a melhor atitude é procurar um médico sempre que houver indício de sintomas da doença.

 

A Cia. da consulta tem médicos de diversas especialidades para cuidar de você e toda a sua família e auxiliar nas informações para a prevenção. Fique atento com as medidas de controle e faça a sua parte para eliminar os focos de mosquito.   

 

Tem dúvidas? Os especialistas da Cia. da consulta ajudam a solucionar.  

 

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